Roda da Cidadania comercializa produtos feitos por organizações sociais

Quem nunca esticou o pescoço para as coisas bonitas exibidas pela vitrine que fica no cruzamento da Avenida São João com a Rua Líbero Badaró? Há ali uma loja, bem instalada no térreo de um prédio antigo, com luminárias, tapetes, marcadores de página, as cobiçadas girafinhas de pano paulistanas, cadernos, almofadas, caixinhas de todo o tipo e outros artesanatos. É a Roda da Cidadania, uma loja-escola da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), que capacita organizações para o trabalho e a inserção produtiva de seus usuários, com ações de geração de renda que favoreçam a conquista da autonomia e inclusão social.

Todo o dinheiro da venda dos produtos é repassado integralmente às organizações sociais conveniadas com a Smads, que os confeccionaram. Assim, todo o artesanato vendido não apenas ornamenta residências e escritórios, como também ajuda diretamente pessoas que necessitam e buscam autonomia. “O objetivo da loja não é só a comercialização e sim a geração de renda pela capacitação dos artesãos”, diz o técnico do Programa Roda da Cidadania, Luís Gustavo Leme Cantillana.

Algumas pessoas das organizações são treinadas pela loja-escola para aprender inclusive técnicas de venda. “Aqui nós capacitamos em técnicas artesanais e também ensinamos como vender, expor o produto, como arrumar uma vitrine, fazer o controle do caixa e estoque”, explica o técnico. A pessoa também aprende economia solidária e o que é empreendedorismo.

Beleza que põe a mesa

Produtos bem acabados, cores harmonizadas, objetos que revelam criatividade e bom gosto. Tudo exposto com graça e vendido por pessoas atenciosas e agradáveis. É artesanato de qualidade e beleza que põe a mesa, como diriam nossas avós.

Na maioria das vezes, a pessoa chega a uma das organizações conveniadas encaminhada por um albergue, principalmente os que possuem oficinas produtivas e seus técnicos percebem o potencial da pessoa, sua habilidade manual e vontade de se auto-sustentar. Um caso é o Boracéa.

O artesanato feito é certificado com o selo Roda da Cidadania

Entre as organizações da rede pode-se mencionar o Arte e Luz da Rua, que recebe as pessoas que foram inicialmente acolhidas pela Casa de Oração. No Arte e Luz da Rua, elas aprendem a fazer peças artesanais e começam a produzir para vender na Roda da Cidadania. “Na loja-escola as pessoas terão capacitação teórica e prática para se desenvolverem, damos estímulo a elas. Desenvolvemos mais o trabalho do que a questão social. Ela existe, mas o objetivo é gerar renda”, conta Cantillana.

A Roda da Cidadania forma multiplicadores sociais, pessoas que se aprimoram e voltam ou não para as organizações a fim de ensinar o que aprenderam. “Assim, elas pode se desenvolver e ministrar oficinas, ir para o mercado de trabalho ou vender seus produtos em outros pontos. Fica a critério delas. Ninguém impõe nada”, diz o Luís Gustavo.

História

Até 2004, a proposta do lugar, antes chamado Loja Social, era apenas a de um espaço para expor os produtos das quatro organizações sociais da rede da Smads. Em 2005, com o então secretário Floriano Pesaro, surgiu a proposta de transformá-la em um ponto comercial dos produtos. Segundo o técnico, “antes os artesãos faziam exposição e contatos para os negócios, não havia as oficinas que hoje possibilitam um progresso pessoal aos participantes”. Hoje estão no projeto 18 organizações, com 540 de seus integrantes sendo capacitados pelas oficinas da Roda da Cidadania.

Comprar na Roda da Cidadania traz satisfação pessoal ao comprador e ao artesão, já que um lado é beneficiado com o produto, que tem qualidade certificada e renda indo para endereço social garantido; e o outro tem na atividade uma fonte de renda para sustentar suas casas e famílias. Mudou de nome, mas sua missão ainda é a mesma: uma loja social.

Reportagem de Débora Rangel.