HISTÓRIA

A Oficina Arte e Luz da Rua iniciou-se em 1999 a partir de um grupo de moradores de rua que faziam artesanato para a ornamentação nas festas e eventos da Casa de Oração. Acolhendo a ansiedade do grupo que queria tornar o artesanato uma forma de geração de renda, foram realizadas diversas experiências com produtos diferentes, como caixinhas de embalagem com cartolina pintada a mão.

As primeiras tentativas fracassaram e somente em agosto de 2000, a partir de um workshop de papel reciclado, reacendeu a discussão da produção para geração de trabalho e renda. O grupo foi se aperfeiçoando na técnica da confecção do papel reciclado e do processamento de fibras naturais para o papel decorado.

Vendo luminárias de papel reciclado na loja onde se tentava comercializar o papel, foi realizada uma experiência amadora para a festa de Natal. Da artesã que ensinou a fazer o papel reciclado, veio o convite para três pessoas do grupo participarem de um workshop de luminárias. Daí em diante houve o aperfeiçoamento e a descoberta do reaproveitamento do bagaço da cana-de-açúcar na confecção de luminárias e outros objetos decorativos. O processo de trabalho foi se estruturando em quatro equipes: processamento do bagaço da cana, montagem, banho e instalação elétrica. Como quinta equipe ocorre o treinamento de mais pessoas com habilidades para a divulgação e venda.

Durante o primeiro ano o grupo percebeu dificuldades para a formação de uma cooperativa, faltavam formação cooperativista e experiência de trabalho coletivo, assim como postura e atitudes de trabalho no grupo, a capacidade de trabalhar em equipe e o knowhow da técnica de quem chegava novo no grupo, atraído por uma perspectiva de ganho financeiro. Neste momento optamos pela estruturação do trabalho como oficina – escola, onde o participante aprende a técnica e o processo da produção e vai treinando as posturas de trabalho, desde a pontualidade, o respeito pelos colegas, a responsabilidade nas tarefas assumidas, preparando-se assim para a reinserção no mercado de trabalho. Entre outros benefícios, os participantes recebem uma bolsa de incentivo e a alimentação. Faz parte da programação da oficina – escola o envolvimento dos participantes na discussão das políticas públicas para população em situação de rua e a participação nos fóruns e manifestações da população de rua.

No 2° semestre de 2001 ocorreu a primeira frente de trabalho da Prefeitura de São Paulo para moradores de rua, conquistada pela Pastoral e pelo Fórum das Organizações que trabalham com população de rua. Aproveitando esta parceria, a Oficina aumentou o grupo de participantes para oito pessoas, tendo garantia da bolsa da frente de trabalho por um ano. O grupo trabalhava dois dias da semana na produção de luminárias e mesmo não realizando uma divulgação elaborada surgiram convites para exposições. Conquistou-se uma clientela que ajudava a escoar a produção e que colaborava com suas sugestões e críticas para o aperfeiçoamento da produção.

Em 2003, foi conseguida com a Prefeitura, uma parceria: uma bolsa de Frente de Trabalho exclusivamente para nossa oficina – escola e aumentamos o grupo de 6 para 16 pessoas, trabalhando agora cinco dias na semana.

Com o aumento da produção e dos dias trabalhados fez-se necessário uma mudança de espaço, já que a Casa de Oração não comportava mais a oficina. Sendo assim, negociou-se com a Arquidiocese uma casa na mesma rua e aos poucos a oficina foi assumindo a casa, reformando e mudando.

Durante estes anos, mais de 200 pessoas se envolveram nesta atividade onde se percebeu a importância do diálogo, da escuta, da reflexão conjunta, da avaliação das ações e da observação dos resultados como instrumento para o crescimento pessoal e do desenvolvimento de um bom trabalho conjunto.

Pela instabilidade da população de rua há um rodízio muito grande de pessoas na oficina – escola. A cada ano, pode se dizer, o grupo se renova. Estabelecemos com o tempo alguns critérios de participação e um tempo limite / norteador de dois anos para a participação.

Nosso objetivo, até então, era a convivência e o preparo para o trabalho, o fortalecimento das pessoas que passam pela oficina para que possam se reintegrar no mercado de trabalho, realizando qualquer atividade profissional.

A realidade é, que têm algumas pessoas que estão há mais de quatro anos nesta convivência, por motivos de saúde ou por falta de oportunidades de emprego; outros estarão chegando aos dois anos de permanência e sentimos a necessidade de pensar um projeto que pode dar uma resposta a esta situação: A implementação de uma Empreendimento – Escola, que capacite para a administração de um empreendimento, com efetiva geração de trabalho e renda. Pretende-se formar e capacitar este grupo para se tornarem monitores e re-editores do processo na própria oficina, e para realizar uma produção para geração de trabalho e renda, inclusive com a possibilidade de formar uma cooperativa ou associação de artesãos autônomos.

2009 é o ano de congregar parcerias em volta deste projeto da implantação da Empreendimento – Escola, reorganizar o espaço físico e a infraestrutura. O desafio maior é a manutenção de uma equipe pedagógica e de apoio. Para isto contamos hoje com o apoio da Incubadora da FGV e do HSBC.

Confiantes no nosso lema “Essa rua tem saída”, sabemos que caminhando se faz caminho.